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domingo, 6 de dezembro de 2015

Estou à mercê de um problema psicológico por conta de um trabalho que era o meu sonho!

Dentre os docentes da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro que obtiveram licença médica durante o ano de 2014, 12.5% ficaram afastados por depressão ou transtornos mentais, a segunda maior causa de afastamentos, perdendo apenas para os 33% licenciados por problemas ósseos e fraturas. Nas instituições privadas de ensino estes dados são menos transparentes, já que um pedido de licença por problemas psicológicos envolveria muito risco de ser demitido. Mesmo assim, os depoimentos que se seguem, explicitam uma relação direta entre a profissão docente e problemas emocionais.

 “Acho importante a gente denunciar. As escolas particulares não vão mudar, eles sabem dos problemas que a gente vive lá. Mas a sociedade não. As famílias precisam observar melhor o ambiente onde seus filhos estão sendo educados. Por sete anos eu trabalhei com uma coordenação que me desrespeitava. Não aguentei a pressão e pedi demissão. Eles me forçaram a isto. Acabei tendo que procurar um médico por causa de problemas emocionais. Agora tomo remédio para depressão. A escola só cobra, e deixa você se acabar. Aí troca de professor. Como é que os pais acham este troca-troca normal!?”

“Minha saúde foi afetada. Estou afastada do município por licença médica porque eu fiquei com pânico, muito por causa das condições de trabalho de lá (área de risco, bem complicado) mais o peso de trabalhar na escola particular.  Eu acabei optando por sair da escola privada porque, bem ou mal, o município ainda paga melhor, e é estável, mas eu penso em sair de lá também. Também não tenho mais vontade de voltar a trabalhar em escola da rede privada. A educação faliu no nosso país, não dá mais para trabalhar como professor! O pânico me fez repensar até aonde eu quero levar isto. Planejo largar a profissão de professora. Eu fiquei com transtorno de ansiedade e depressão por conta das situações que eu vivi no município. Agora, eu tenho crise em qualquer lugar ... eu tenho 28 anos e estou à mercê de um problema psicológico por conta de um trabalho que era o meu sonho!”

sábado, 5 de dezembro de 2015

Tem pai que aplaude e outro que vaia!

            As instituições de ensino privado oferecem um serviço educacional. Os alunos e, eventualmente, suas famílias são os clientes que contratam este serviço. A necessidade que a organização tem de manter os seus clientes está associada a uma necessidade de sobrevivência. No entanto, a satisfação desta necessidade por vezes se confunde com uma permissividade que contradiz qualquer tipo de proposta pedagógica. O relato a seguir é um exemplo disto.

 “Ano passado, quando eu comecei eu fiquei bastante surpresa. Logo no início do ano é marcada uma reunião com os diretores, professores e os pais, que ficam numa espécie de arquibancada. Os diretores anunciam os professores e tem pai que aplaude e outro que vaia. Daí, o professor tem problema o ano inteiro. É bizarro! É tragicômico!  A escola não te dá respaldo, se o pai não quiser você, ele vai à diretora e diz: eu não quero esta professora, eu quero a outra.”

No caso em questão, a instituição se fez palco de uma enorme falta de respeito com os profissionais que estavam sendo apresentados. Não seria função desta coordenação tomar a palavra para impor a ordem social da escola em questão, educando os pais que vaiaram professore e banindo este tipo de atitude abusiva daquele ambiente? O que faz com que coordenadores, diretores escolares ou gestores da educação desrespeitem os direitos dos professores? Você já teve contato com outras formas de desrespeito ao professor sendo permitidas no seu espaço de trabalho?